sábado, 20 de novembro de 2010

Alice twitando no país das maravilhas



Só a título informativo, Alice No País das Maravilhas foi escrito por um professor de Matemática, no ano de 1885, mas sei lá quantos anos ele levou para escrever essa obra que nos intriga até hoje! E vocês não leram errado: ele era sim professor de Matemática. Sinto informa-lhes que não era pedagogo ou letrólogo, pois é, perdemos uma boa oportunidade de nos gabar! Este homem de maravilhosa criatividade se chamava Charles Lutwidge Dodgson, mas insistia em ser chamado de Lewis Carrol (seu pseudônimo), pessoas criativas tem dessas coisas, sabe-se lá por que...
A verdade é que Alice nos intriga, depois de dois filmes, sendo um de desenho animado e o outro uma versão ótima e viajadérrima (se me permitem a utilização do termo). Ainda nos perguntamos o que aquela menina de rosto angelical (e até parecida com Angélica!), aparentando ter boa educação e sendo uma criança vai fazer atrás de um coelho que fala e acaba caindo dentro de um buraco?! Só se, as teorias que dizem que ela comeu um cogumelo alucinógeno ou fez uso de alguma erva que produz o mesmo efeito, estejam certas! Deve ser bem verdade, porque o nosso estudo enquanto pedagogas permitem a observação de que uma criança em sãs condições psíquicas correria de um bicho tosco feito esse coelho, que ainda por cima anda com um relógio, às pressas alegando que está atrasado! E o que dizer então da senhora Rainha de Copas com sua cabeça gigantesca e anda dizendo que quer que cortem as cabeças?! Isso amedronta. Que me perdoe o senhor Lewis!
Olhando pelo lado literário, a história é intrigante, bem escrita, com personagens interessantes, dinâmica... Infinitos adjetivos para enaltecê-la! Posso dizer que esta obra “me caiu feito uma luva”. Não, não sou viajada e nem uso nada alucinógeno, por favor, não me entendam mal! Apenas quero dizer que, por ser uma obra tão criativa, ganhou meu interesse para tentar entender o que uma criança vê nessa garotinha tão entediada que embarca em uma viagem surreal cujos personagens que merecem o mesmo adjetivo! Por falar nisso, eu só vim entender essa obra quando cresci, e minha mãe assegura que sou normal, que nunca tive problemas mentais ou qualquer coisa do tipo! Até gostava... da roupa de Alice, daqueles cabelos loiros, do coelho, das cores do gato, da dança do chapeleiro e fiquei com pena do pobre o Jaguadarte, criado na versão cinematográfica de Tim Burton. Triste fim, pobre do animal de caráter duvidoso, ela só quis defender a sua rainha!
Sim, mas até agora vocês devem estar se perguntando o porquê do título desta singela crônica, acertei? Pois bem, depois de “grande” eu cheguei à conclusão de que Alice tinha um twitter, ou vocês acharam que isso tudo foi apenas criação da cabeça de Lewis? Claro que não né?! Ela, a Alice em pessoa, viajava (só Deus sabe pra onde) e de lá mandava: Encontrei um @coelhoatrasado que corria com um relógio, muito lindooo! @LewisCarrol precisa escrever sobre isso. Ou: Apaixonei-me por um certo @Chapeleiro_Maluco que é um verdadeiro @GATO.SORRIDENTE=D! E por fim: Minha viagem pelo #paisdasmaravilhas tá sendo o máximo, mas tem uma tal de @RainhaVermelha que vive me perseguindo e ainda tive que matar aquele noiado do @JaGuAdArTe =/ E então é a vez de Lewis responder: tá bom @Alicedaerva, você venceu! Já estou escrevendo sobre sua fantástica viagem!
Nessa história toda eu só tenho pena da Rainha Branca, também criação de Tim, acho que é a única normal nessa história, ou não! O cabelo dela é todo branco e ela segue Alice no Twitter! É, cheguei à conclusão de que nada é normal quando visto de perto: moral da história de @Alicedaerva no #paisdasmaravilhas! Pois bem, tatodomundolouco.com.br! Essa coisa de internet, tecnologia fez a cabeça de Alice, talvez por isso ela tenha “viajado” tanto e o danado do Lewis já sabia isso há anos de diferença da época do wi-fi. Agora me coube uma dúvida de caráter conclusivo: será que a internet de Alice era, pelo menos, 3G? Porque se não foi, ela deve ter encontrado muitas dificuldades para ficar twitando o dia todo!


Miline Fácia

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

8º FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA INFANTIL (FICI)

Está rolando desde sexta-feira dia 08/10 e a ultima exibição será neste Domingo, 17/10.
Confiram a programação no site:
www.fici.com.br

O filme que indicamos para todos da turma estarem assintindo neste sábado às 14h no cinema são Luiz ou no domingo no cinema da Fundação Joaquim Nabuco é:
O segredo de Eleonor
Acessem o link e vejam o trailler do filme!


quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O mediador de Leitura

Mas, quem pode mediar leitura? Afirmo com convicção que: os familiares, os professores, os bibliotecários, os escritores, os editores, os críticos literários, os jornalistas, os livreiros, os tradutores, os webdesigners, e até os amigos que nos emprestam um livro ou indicam um CD-ROM e uma página literária na Internet. Porém, os mediadores que mais se destacam são os familiares, os professores e os bibliotecários; e estes precisam estar conscientes da responsabilidade que têm.

Os familiares deveriam ser os primeiros mediadores de leitura, pois são os primeiros elos da criança com o mundo; entretanto os pais e demais membros da família, em geral, não têm a dimensão da influência que podem exercer sobre as crianças, no sentido de motivá-las à leitura. Assim, aos pais, em especial, cabe a tarefa de aproximar a criança do texto, pois o gosto pela leitura “[...] deve ser adquirido no período em que se está ainda no processo de aquisição da linguagem oral [...]”(POSTMAN, 1999, p.90). Ou seja, no período em que as crianças estão mais flexíveis, inquietas, curiosas e desejosas de aprender o novo; portanto, desprendidas de conceitos e preconceitos, interessando-se em explorar tudo que está ao seu redor. Este é um período em que se deve aproveitar para estreitar a convivência com o texto literário; porém, infelizmente, nem sempre as condições econômicas do brasileiro permitem a ele a inclusão do livro, de um CD-ROM ou da Internet no orçamento familiar, resultando que a maioria passa toda uma vida, sem nunca ter comprado sequer um jornal.

Desta forma, se a família não tem condições (econômicas e culturais) de cumprir a tarefa de mediadora da leitura, as escolas, de maneira precária ou de forma enriquecida, tentam fazer esta mediação.

Assim, o professor é encarregado compulsoriamente de aproximar o educando da leitura; porém, é fundamental que ele faça esta mediação, mostrando o texto como algo prazeroso e não como instrumento de avaliação e tarefa. Além disto, se o professor não for [...] “crítico, sensível, consciente e um bom leitor, jamais poderá passar o prazer do texto, literário ou não literário” (JOSÉ, 1992, p.203). É preciso ler com gosto, porém, o que acontece quotidianamente é que, muitas vezes, o professor não tem tempo para refletir que o seu papel “[...] na intermediação do objeto lido com o leitor é cada vez mais repensado: se, da postura professoral lendo ‘para’ e/ou ‘pelo’ educando, ele passar a ler ‘com’, certamente ocorrerá o intercâmbio das leituras, favorecendo a ambos, trazendo novos elementos para um e outro” (MARTINS, 1983, p.33).

E assim o leitor, além de se cumpliciar com o autor e os personagens, tem no professor também um cúmplice; isto é, se o professor estiver disposto a compartilhar com ele a leitura/as leituras.

LITERATURA INFANTO-JUVENIL - Coluna de Sueli Bortolin





Trabalhos de Literatura Infantil

A partir desta segunda-feira iremos conhecer alguns clássidos de nossa Literatura Infantil, alguns autores que contribuem para este tema, fábulas, contos, etc; e com a ajuda da turma do 6º Período de Pegadogia da Faculdade de Formação de Professores de Nazaré da Mata estaremos postando em nosso Blog um pequeno resumo sobre estes clássicos.
Abaixo a data de apresentação, o tema abordado e a/o responsável pelo grupo:

  • Dia 04 de Outubro:
  1. Fábulas de Esopo e Fábulas de la Fontaine (Cirlene)
  2. Charles Perrault - As fadas e Irmãos Grimm (Milca)
  • Dia 25 de Outubro:
  1. Contos de Anderssen (Amanda Carolina)
  2. Alice no País das Maravilhas (Marcinha)
  • Dia 08 de Novembro:
  1. Cecília Meireles (Cleta)
  2. Monteiro Lobato (Briana)
  • Dia 22 de Novembro:
  1. José Paulo Paes e Arca de Noé - Vinícius de Moraes (Eduardo)
  2. Literatura Infantil em Pernambuco (Emiliana)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O Menino Maluquinho - Era uma vez um Menino Maluquinho

Em 1980, quando tinha 12 anos e me preparava ansiosamente no mês de Agosto para celebrar meu aniversário, fui presenteado com um dos livros que, certamente, marcaram minha vida.
Entre os que me conhecem pessoalmente e, que já tiveram a oportunidade de ver os livros acumulados nas prateleiras da minha casa ou sabem da minha graduação em história, poderia se pensar que havia ganhado “Casagrande e Senzala” de Gilberto Freyre, “O Manifesto Comunista” de Karl Marx ou ainda “A Era das Revoluções” do historiador Eric Hobsbawn.
Outros amigos, cientes de minha paixão prematura pelas artes (cinema, música, pintura, escultura,...) poderiam prever alguma biografia ou livro de referência acerca de uma escola artística.
Uma outra possibilidade, relacionada ao fato de que tinha apenas 12 anos poderia ser a leitura dos clássicos destinados a juventude (existia até, naquela época, uma coleção muito conhecida, nomeada “tesouros da juventude”), onde podíamos encontrar obras de Júlio Verne, Alexandre Dumas, Edgar Allan Poe, Conan Doyle,...
Nessa época um grande presente poderia ser um dos livros da fantástica coleção da escritora inglesa Agatha Christie, com os detetives Hercule Poirot ou Miss Marple investigando os casos mais intrigantes e cheios de enigmas que qualquer um de nós pode conhecer, como em “Assassinato no Expresso do Oriente” ou “O Caso dos Dez Negrinhos”.
Asseguro-lhes, entretanto que a jóia rara que havia recebido merece estar ao lado de todos esses grandes autores e obras. Trata-se de um livro destinado ao melhor dos mundos, ao universo das crianças. É a obra prima de um grande brasileiro chamado Ziraldo, o livro “O Menino Maluquinho”.

Consigo ainda, buscando em minha memória, lembrar da dedicatória escrita nas páginas iniciais do livro por uma de minhas melhores amigas de escola em que ela dizia que eu devia preservar dentro de mim, por toda a minha vida, o menino maluquinho que ela percebia a partir de nossa amizade. Carrego por toda a vida essa mensagem, vi nela uma sinceridade grandiosa e percebi que se tratava de uma orientação valiosa.
Iniciei rapidamente a leitura do livro. Devorei-lhe as páginas com enorme rapidez. Li e reli diversas vezes. Mantenho a cópia do jeito que a recebi entre os muitos livros que servem de referência para a minha vida profissional e pessoal. Jamais esqueci suas lições.
Que lições?
- Que carinho de mãe e de pai é inigualável e para sempre.
- Que a casa da avó e do avô é recanto sagrado, onde reside toda a paz do mundo e, com certeza, a melhor comida do planeta.
- Que as amizades devem ser preservadas e guardadas com o máximo de cuidado que possamos ter. São de inestimável valor.
- Que criança tem que brincar, correr, subir em árvore, jogar futebol, andar de bicicleta (ou de carrinho de rolemã),...
- Que querer abraçar o mundo e salvar o planeta de todos os vilões que existem por aqui são tarefas que todas as crianças se atribuem. Que seus sonhos devem ser cultivados e nunca desestimulados.- Que a escola faz parte da vida de toda a criança. É onde se ensina e se aprende. É onde se fazem amigos e se namora. É onde encontramos os professores e crescemos.

- Que as crianças não podem ficar trancadas dentro de casa, presas na televisão ou no video-game. Tem que empinar pipa e jogar pião. Tem que brincar de pega-pega, amarelinha ou esconde-esconde.
- Que quando gostamos de alguém temos que cuidar muito bem dessa pessoa. Fazer carinho, companhia, ser solidário em momentos difíceis e sorrir muito, dividir as alegrias.
- Que quando somos crianças nos machucamos várias vezes e, algum tempo depois, já estamos prontos pra outra...
- Que criança também tem segredos e momentos de tristeza. E que devemos respeitar seu silêncio e seus (raros) momentos de isolamento.
- Que nenhum de nós deve, nunca, esquecer que um dia fomos crianças. E que na infância, por mais que tenhamos momentos de tristeza, prevalecem as alegrias.
Fecho esse relato me lembrando da partida de futebol que encerra a narrativa do livro. Eu também fui goleiro dos times das ruas em que morei por ser um dos menores do grupo. Me esfolava todo para não deixar a bola entrar. Pulava de um lado para o outro. Voava no ar em busca da defesa fantástica. Voltava pra casa com o joelho machucado ou com as canelas roxas. Em algumas oportunidades fui o herói do jogo, em outras, o vilão que havia tomado um gol bobo. Em todas elas fui, um pouco, o menino maluquinho de Ziraldo...

João Luís de Almeida Machado Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).


http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=4




sábado, 18 de setembro de 2010

A fundamental importância da permanência do tradicional na literatura infantil.


Nesta publicação, colocamos trechos que discutem: a fundamental importância da permanência do tradicional na literatura infantil, como também, como deve ser um livro de literatura infantil, e a falta de bibliotecas infantis que correspondam a uma necessidade do nosso tempo.


Nas sociedades modernas, a tradição está agonizando. Aprender, restringe-se, então, à escola, responsável pela introdução da criança na leitura e na escrita. Cecília Meireles distingue, no entanto, a função desempenhada pelos livros didáticos daquela que compete aos livros de literatura infantil no processo educacional. Os primeiros são livros de aprender a ler, as séries de leituras graduadas que os completam, os livros das diferentes disciplinas. São didáticos, pois, “o que se tem em vista é o exercício da linguagem e a obediência a estas ou àquelas recomendações pedagógicas”, ficando o texto na dependência desse mecanismo, “sem grandes possibilidades para a imaginação” (MEIRELES, 1979, p23). Esses livros apenas excepcionalmente possuem interesse literário, por um “milagre do autor” (Idem).

...

É um livro de literatura infantil, portanto, aquele que reúne essas características:

“Ah! tu, livro despretensioso, que na sombra de uma prateleira, uma criança livremente descobriu, pelo qual se encantou, e sem figuras, sem extravagâncias, esqueceu as horas, os companheiros, a merenda... tu, sim, és um livro infantil, e o seu prestígio será, na verdade, imortal.
Pois não basta um pouco de atenção dada a uma leitura, para revelar uma preferência ou uma aprovação. É preciso que a criança viva sua influência, fique carregando para sempre, através da vida, essa paisagem, essa música, esse descobrimento, essa comunicação...” (MEIRELES, 1979, p 28).

A literatura infantil não é um passatempo e sim uma nutrição e o seu valor só será apropriado se houver uma leitura silenciosa e seguida. Daí o espaço privilegiada de leitura não ser a sala de aula e sim a biblioteca, seja ela particular, pública ou escolar. Dentro do projeto dos escolanovistas, a biblioteca escolar assume um lugar fundamental na formação. É um espaço estruturalmente ligado à sala de aula e não apenas uma instituição anexa. É o espaço onde se encontram os livros de consulta para pesquisas bem como os livros de literatura infantil.

Para Cecília Meireles, “as bibliotecas infantis correspondem a uma necessidade do nosso tempo, visto não existirem mais amas nem avós que se interessem pela doce profissão de contar histórias.” (Idem , p 111). O seu acervo deve promover o humanismo infantil.
Para LARROSA (1996), a biblioteca humanística traz implícita uma determinada concepção de A função da literatura infantil é dar à criança o acesso ao tempo da tradição, formando um humanismo básico e apontando para a direção do homem de compreensão universal, base da fraternidade.tempo. Ela encarna o tempo histórico e coletivo da cultura e o leitor, ao realizar a leitura, estabelece uma relação com o tempo da tradição e da cultura. Essa cultura é interiorizada através do mecanismo da reflexão.

Cecília Meireles finaliza seu livro Problemas da literatura infantil com os versos atribuídos à Bárbara Heliodora:

“Meninos eu vou ditar
as regras do bom viver
não basta somente ler,
é preciso meditar,
que a lição não faz saber,
quem faz sábios é o pensar” (p 117).

A ligação com o tempo da cultura determina a matéria-prima do acervo da biblioteca infantil moderna. A maior parte dos livros dessas bibliotecas deveria ser composta por adaptações de antigas narrativas que “pertencem ao tesouro geral da humanidade” (Idem, p 42). Para ela, é fundamental a permanência do tradicional na literatura infantil.

“Insistimos na permanência do tradicional na literatura infantil, tanto oral quanto como escrito, porque por ele vemos um caminho de comunicação humana desde a infância que, vencendo o tempo e as distâncias, nos permite uma identidade de formação. Por essa comunhão de histórias, que é uma comunhão de ensinamentos, de estilos de pensar, moralizar e viver, o mundo parece tornar-se fácil, permeável a uma sociabilidade que tanto se discute.
Se as religiões tentam realizar a fraternidade estabelecendo princípios que tornam os homens reconhecíveis à luz do seu credo, essa moral leiga ajuda a realizar tal fraternidade, estabelecendo uma compreensão recíproca à luz das mesmas experiências milenares, traduzidas em narrativas amenas.
A literatura tradicional apresenta esta particularidade: sendo diversa em cada país, é a mesma no mundo todo. É que a mesma experiência humana sofre transformações regionais, sem por isso deixar de ser igual nos seus impulsos e idênticas nos seus resultados. Se cada um conhecer bem a herança tradicional do seu povo, é certo que se admirará com a semelhança que encontra, confrontando-a com a dos outros povos. (...) É um humanismo básico, uma linguagem comum, um elo entre as raças e os séculos” (MEIRELES, 1979,p 64).

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A presença de livros seculares na literatura infantil se explica porque possuem uma “essência de verdade” e porque possuem “qualidade de estilo irresistível”. De qualquer maneira, “o milagre fundamental está nas mãos do autor” (Idem, p 91).
Cecília Meireles aponta para a inexistência, no Brasil, de autores que se dediquem a fazer livros infantis, como por exemplo, Constâncio Vigil, na Argentina e Selma Lagerlof, na Suécia, ganhadora do prêmio Nobel de literatura em 1909.

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Segundo LARROSA (1996), a educação pontua o tempo no passado e no futuro, indicando assim tanto a conservação da tradição como a sua renovação. Se essa renovação dá-se a partir do leitor, de sua reflexão, na biblioteca infantil ela ocorre pela mediação do autor contemporâneo – o intelectual que se debruça sobre a cultura tradicional para a partir dela estabelecer relações originais. É esse o destaque que Cecília Meireles dá à obra de Selma Lagerlof, A viagem maravilhosa de Nils Halgerson.

“Quando se considera a grande obra de Selma Lagerlof, (...), e se reflete sobre os elementos que a inspiraram, não se pode deixar de perceber o valor da influência do tradicional e popular, representado pelos trovadores, pelas velhas contadoras de histórias, pelos monges compiladores de lendas: os credores que trouxeram sua contribuição oral para a formação dessa vida, iluminada ainda pela literatura clássica nacional, e pelas epopéias que são também a mais remota tradição, cristalizada...
(...)
Em todas as grandes vidas, esse elemento tradicional aparece como raiz profunda, que penetra igualmente o solo da pátria e o solo do mundo; que vem da infância de cada um e da infância de todos, e concorre para essa fusão do individual no coletivo, do coletivo no individual, essa identificação do homem com a humanidade” (MEIRELES, 1979, p 65).

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Os trechos foram extraídos do artigo "A escola, a criança e a literatura infantil" de Luciana Borgerth Vial Corrêa (Mestre em Educação pela PUC-Rio com a Dissertação intitulada Infância Escola e Literatura infantil em Cecília Meireles”)

Quem quiser saber mais informações contidas artigo, aqui está o link:

http://www.historiaecultura.pro.br/modernosdescobrimentos/desc/meireles/aescolaacrianca.htm

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Crítica ao sucesso da "literatura infantil" atual.

Entrevista feita por Luís Antônio Giron da Revista Época, sobre a péssima qualidade da literatura infantil ao redor do mundo. Durante a entrevista ele afirma: 'Os livros com o personagem Harry Potter apresentam uma bruxaria barata reduzida a trama de aventura. O texto não tem densidade literária nenhuma. A escrita de J.K. Rowling é horrível.'


HAROLD BLOOM


O crítico americano diz que as crianças devem ser apresentadas à boa literatura, como os adultos.

Harold Bloom é o crítico literário mais popular do mundo. Em 2000, fez furor ao publicar, no The Wall Street Journal, um ensaio em que condenava os livros com o personagem Harry Potter, da inglesa J.K. Rowling. No Brasil, acaba de sair a primeira parte da coletânea Contos e Poemas para Crianças Extremamente Inteligentes (Objetiva, 142 páginas, R$ 21,90). Nela, Bloom coleciona um elenco de textos que considera fundamentais. Seu novo livro, Gênio – Um Mosaico de Cem Mentes Exemplares e Criativas, lançado em 2001, terá edição brasileira em maio. Em quase 1.000 páginas, a obra busca nomes de gênios literários. Bloom falou a ÉPOCA por telefone, de New Haven, Connecticut, onde se recupera de uma operação e prepara dois livros: um sobre o personagem Hamlet e outro sobre o cânone da crítica – do qual ele já faz parte, mas não se inclui.

ÉPOCAComo o senhor analisa o sucesso da literatura infantil atual?
Harold Bloom – É um fenômeno de mercado. A maior parte dos livros para crianças à venda nas livrarias é idiota, não serve para nada, muito menos para suprir a necessidade de leitura de uma criança ou do leitor de qualquer faixa etária. Livros estão sendo confeccionados para vender e se tornar sucessos no cinema e na televisão. Isso nada mais é que uma máscara que oculta o rosto cada vez mais estúpido da era da informação. Os tais livros infantis ajudam a destruir a cultura literária.

ÉPOCASua opinião mudou em relação à série Harry Potter?
Bloom
– Odeio Harry Potter. É bruxaria barata reduzida a aventura. É prejudicial ao leitor. Não tem densidade. A escrita é horrível. Lancei a polêmica, sabendo que eu atuaria como Hamlet, que defronta com um oceano de aborrecimentos. Continuo me incomodando com os fãs do pequeno feiticeiro.

Divulgação/Warner Bros.


ÉPOCA – Existe solução para incentivar a leitura entre os jovens?
Bloom
– Não vejo diferença entre literatura adulta e infantil. Existe, sim, uma diferença essencial entre boa e má literatura. A solução está na boa leitura, em todas as idades. A primeira idéia da coletânea que organizei era criar um compêndio de boa leitura, que se intitularia O Leitor Solitário. Aos poucos, me dei conta de que estava fazendo um livro para jovens, com poemas e histórias simples, sem prejuízo da qualidade. Percebi então que poetas como John Keats e John Donne poderiam servir para alimentar a imaginação da juventude, assim como os contos de C.K. Chesterton e Robert Louis Stevenson.

ÉPOCA – Mas por que existe essa separação entre literatura para pequenos e grandes?
Bloom
– Diferenciar livros para crianças e para adultos foi útil na divisão do mercado do século passado, mas hoje encobre um fato muito grave: o de que a estupidez está acabando com a cultura literária. As crianças de hoje não são mais burras que as de antigamente. O problema está em vencer modismos e chamar a atenção para bons exemplos literários. Talvez a queda dos índices de leitura se deva aos maus exemplos que os pais estão dando a seus filhos.

'Lancei a polêmica contra Potter sabendo que, a exemplo de Hamlet, enfrentaria um oceano de aborrecimentos sem acabar com ele. Continuo me incomodando com os fãs do pequeno feiticeiro.'